O mundo está voltado para a COVID-19 e as emoções das mentes humanas estão mexidas. Mais do que nunca, o sinal Amarelo do Setembro precisa estar em modo ativado. A luta para a imunidade contra o coronavírus tem abalado a imunidade mental que deve ser assistida e acompanhada. Principalmente, a dos pacientes com Covid e dos profissionais da linha de frente.

A Equipe de Psicologia do Hospital Espanhol, Centro de Tratamento COVID-19 – referência na Bahia, batizou o Setembro Amarelo, mês que simboliza a necessidade de atenção e cuidados para a saúde mental, de Setembro Transforma Dor. E está indo a campo, com três frentes de trabalho e atuação.  Para os pacientes: atividades de arterapia, com pinturas e músicas, nos leitos de enfermarias e UTIs. Para os funcionários: massagem coletiva, alongamento, criação da ‘Árvore da Comunicação Positiva’ – que é um painel de colagem, feito a partir de sentimentos do momento e desejos futuros. E para os familiares dos pacientes: disponibilização, por vias digitais, de vídeos psicoeducativos sobre a temática de valorização da vida.

Todo o material de pintura utilizado é de uso individual e devidamente higienizado, dentro dos protocolos para a Covid, determinados pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Espanhol.  “A preocupação em cuidar do triângulo paciente-profissional-familiar é fundamental para resultados positivos, no nosso objetivo de cura. E a saúde mental de todos nós, numa pandemia, precisa de atenção e cuidados dobrados”, salienta a Diretora Geral do Hospital Espanhol, Thayse Barreto.

As pinturas em desenhos de mandalas, feitas por pacientes, surpreendeu em resultados positivos de autoestima, emocionando a equipe do Hospital. Alguns deles, em idade adulta, nunca tinham usado um pincel ou um lápis de cor para colorir. Nem mesmo na infância.

A psicóloga Carolina Vidal, aborda cada paciente sobre a atividade que vai ser realizada, explicando o porquê do Setembro Amarelo e lhe explica: “Nossa intenção é transformar a sua dor de se estar doente, em isolamento, longe de sua família, em um momento de alegria colorida. Enquanto você pinta, cola e cria imagens, ao som da voz e do violão do nosso musicoterapeuta Marcos Barbosa.” Para ela, isso é motivação à externalização dos sentimentos e à autoestima, é prevenção à tristeza.

Tem gente que nunca coloriu

O paciente Carlos Eduardo Lima, o “Carlinhos do Baêa”, 69 anos, morador do bairro do Rio Vermelho, é jogador de futebol aposentado e sambista. Ele foi jogador do Bahia, na era Beijoca, seu colega de time. “É a primeira vez que fico internado e a primeira vez que faço uma pintura. Este sol significa coisas boas, a oportunidade de ver a luz do dia e a luz de Deus em minha vida” – disse, em seu momento de transformar a dor, no Hospital Espanhol, durante a pintura de um sol.  “Colorir era uma atividade que eu queria fazer, quando era jovem. Era meu sonho… estudar, sentar numa carteira, numa sala de aula. Mas eu não tive oportunidade. Porque comecei a trabalhar com nove anos. Ajudava meus pais, na fazenda, onde eles trabalhavam. Perto tinha uma escola. Eu via as outras crianças indo… mas eu não podia ir”. Impossível não se emocionar, ao ouvir um depoimento de uma mulher da roça, aos 59 anos, enquanto colore uma mandala, no seu leito de enfermaria, lutando contra a Covid. Ela é Crispiniana Costa, mas pede para ser chamada de Tina. D. Tina realizou seu sonho de menina… de colorir! “A ideia de unir a arteterapia e a campanha de prevenção ao suicídio com os pacientes, vem com a proposta de dar lugar ao imaginário, ao criativo, onde tudo é possível. Favorecendo o autoconhecimento a valorização da vida, a integração e o respeito com as pessoas da equipe técnica, promovendo a harmonia do ambiente. Desviando o foco da atenção da doença, vem a sensação da leveza mental” – explica a psicóloga Jaqueline Amorim que pinta, canta, dança e encanta, deixando sorrisos por trás das máscaras dos pacientes e em seus olhares.