Francisca Bastos dos Santos, 64 anos, dona de casa, natural de Candeias – a 50km de Salvador, está internada na Enfermaria 6C do Hospital Espanhol, se tratando da Covid-19, desde o último dia 8 de setembro. Há quase um mês, afastada da família, não deixou a tristeza encostar. Sempre animada e disposta, acredita que manter o bom humor e a positividade só ajudam para a sua cura. Sábia e forte, D. Francisca! Em 02 de outubro de 1974, Francisca casou com Adailton dos Santos. Selaram juras de amor, na saúde e na doença, até que a morte os separe. E assim estão, juntos, até hoje! Mas este ano, as Bodas de Alabastro serão comemoradas virtualmente.

Ele em Candeias, em casa, ela em Salvador, no Hospital Espanhol, no leito 606. Separados, temporariamente, pela maldita Covid. Você sabe o que é alabastro?… A gente também não sabia, até pesquisar e descobrir que alabastro é uma designação aplicada a dois minerais distintos, gesso e calcite. Mas não o gesso em pó, um tipo de gesso estruturado. Estruturado como deve ser um casamento para chegar com amor, união, cumplicidade e alegria, aos 46 anos. O casal que celebra quatro décadas + ½ dúzia de união, celebra Bodas de Alabastro!

D. Francisca e Seu Adailton têm quatro filhos, oito netos e uma bisneta. “Eu nunca passei um ano longe do meu esposo. Sempre com ele, comemorando juntos. E agora estou aqui, no Hospital, por causa deste Coronavírus, precisando de Oxigênio. Eu queria estar em casa. Mas tá tudo bem! Eu estou de pé e vou me curar. Porque Deus faz tudo na hora certa” – desabafou D. Francisca, a noiva de 46 anos atrás.

Mesmo no hospital, a data é especial

A equipe do Hospital Espanhol não deixou a data passar em branco. Com cartaz, enfeites improvisados com luvas, vozes & violão, vídeochamada com a família e muito amor e carinho, as Bodas de Alabastro de D. Francisca e Seu Adailton, não passaram em branco. Foram cor de rosa, como o Outubro! Para completar a emoção do dia, quando a psicóloga Jaqueline Amorim, 31 anos, também natural de Candeias, chegou ao leito de D. Francisca para arrumá-la para a ação das Bodas com a videochamada para a família, a identificou, como conterrânea. “D. Francisca, a senhora não está me reconhecendo porque estou escondida, atrás dos EPIs. E eu também não tinha reconhecido a senhora, por causa da máscara. Eu sou Jaqueline, de Candeias…” – declarou a psicológa que já cuida de D. Francisca, há quase um mês, surpresa com a coincidência.

“Ah meu Deus… eu conheci você pequena. Te carreguei, na casa de sua mãe e na casa de Preta que é sua tia… Eu te conheço de ontem, não é de hoje. Não te reconheci. E agora só tenho a agradecer por cuidar muito bem de mim” – disse a paciente, emocionada. E as emoções seguiram, durante a videochamada, com a participação da família e a troca de declarações amorosas do casal. Com amor, a superação das dificuldades impostas pela Covid se torna mais leve e todos se fortalecem! Heróis da saúde, pacientes, familiares e sociedade. Que vença o amor! Que passe a pandemia.