Fígado e coração, encaminhados para pacientes de São Paulo, foram escoltados e levados por jatinho da Força Aérea Brasileira; córneas e rins foram recebidos por pacientes de Goiás

Mais uma megaoperação foi realizada pela continuidade da vida, no Hospital Estadual de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz (Hugo), nesta segunda-feira (19/04). Depois que a família de um paciente jovem, de 19 anos, deu o “sim” para a doação, os órgãos foram captados na unidade. Ao todo, seis pacientes de Goiás e São Paulo foram receptores.

Era cerca de 9 horas, quando o jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB) interrompeu o tráfego aéreo e pediu permissão para pouso no Aeroporto Internacional de Goiânia. No interior da aeronave, uma equipe médica de captadores de São Paulo estava a caminho do Hugo, para buscar coração e fígado, doados. Às 13h20 a equipe deixou o Centro Cirúrgico e seguiu em uma ambulância do Corpo de Bombeiros de Goiás, acompanhada por motociclistas batedores, da mesma corporação. O destino era a aeronave, que tomaria rumo à capital paulista.

Logo em seguida, outra equipe médica de captadores, já de Goiás, iniciou o procedimento para a remoção de duas córneas e dois rins. A cirurgia terminou às 14 horas. Esses órgãos e tecidos ficam para Goiás. Cinco pacientes são os receptores, e ganham, nesta ocasião, uma nova oportunidade de sobreviver.

O SIM
O paciente doador é um jovem, que deu entrada no Hugo depois de um acidente de trânsito entre dois carros. Ele não apresentava COVID-19, conforme exames laboratoriais. Mesmo com todo o empenho para a recuperação, o rapaz, de 19 anos, teve o protocolo de morte encefálica finalizado. A família, que participou de todo o tratamento e estava ciente de todo o contexto desde a abertura do protocolo, os exames que eram realizados e os resultados que apresentavam, quando foi entrevistada sobre a possibilidade de doação de órgãos foi clara, e deu um “sim” pela continuidade da vida.

“É este ‘sim’, mesmo num dos piores momentos que todos os membros familiares estão passando, que proporciona vida a pessoas que estão na fila para receber um órgão. São gestos como esse, que nos motivam a acreditar no ser humano”, disse a enfermeira especialista em transplantes e presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott), Tânia Lemos.

Tânia ainda ressalta que o Hugo é referência em captação de órgãos, e mesmo com a pandemia, quando houve queda nos números de doações, a unidade já obteve números expressivos.

HUGO
Em janeiro de 2021, o Hugo teve oito famílias que foram entrevistadas sobre a possibilidade de doação. Ao todo, três aceitaram a doação. Foram captados dois rins, um fígado e duas córneas. Em fevereiro, apenas duas das 4 famílias entrevistadas aceitaram doar. Mais quatro rins e quatro córneas foram doados.

Em Março, das três entrevistas realizadas com famílias de possíveis doadores de órgãos no Hugo, apenas uma se mostrou disposta a doar. Mas só duas córneas foram captadas na unidade. Até esta segunda-feira (19), abril teve quatro autorizações de famílias. Foram dois corações, três fígados, oito rins e a mesma quantidade de córneas.