O enfrentamento do coronavírus tem sido marcado como um dos maiores desafios para a saúde no Brasil e no mundo. Profissionais de saúde se esforçam para manter o equilíbrio em meio ao cansaço e ao medo, para oferecer o seu melhor aos pacientes.

Empatia, solidariedade e cuidado personalizado, todos esses valores estão no centro da assistência à saúde e do atendimento no Hcamp de Itumbiara. A coordenadora multiprofissional da unidade, Karine Araújo, escreveu um texto onde aborda a humanização em saúde e seus desafios em tempos de pandemia e quais ações o Hcamp aborda para tornar a hospitalização do paciente menos dolorida.

Veja na íntegra o texto

Sabemos que nestes últimos dias houve um aumento significativo de pessoas contaminadas com a COVID e isso gerou um forte impacto no sistema de saúde, de uma maneira geral. Neste contexto, faz-se necessário um olhar cada vez mais humanizado para os pacientes, familiares dos pacientes e também para os profissionais de saúde

Quando olhamos para o paciente é necessário entender todo o contexto de angústias que o processo de adoecimento provoca. O paciente chega à unidade de saúde com os sintomas físicos procurando por atendimento, porém, muitas vezes psicologicamente fragilizado, com medo de que seus sintomas se agravem, com medo de precisar ser internado, com medo de que ele não consiga se recuperar, com medo de ter que ficar longe de sua família, com medo do tratamento. Essa fragilidade psicológica acaba impactando diretamente não só na reação emocional deste paciente, mas até mesmo em seu quadro clínico de uma forma geral.

Quando o paciente precisa ser internado, essa fragilidade psicológica se torna ainda maior, pois a pandemia exige um novo padrão de hospitalização, no qual o paciente não pode ter um acompanhante e não pode receber visitas de seus familiares e amigos. E, em algumas unidades, o paciente não pode nem sequer ficar com seu celular, devido ao alto risco de contaminação e outros fatores. Isso significa que em algumas unidades o paciente fica totalmente distante de sua família e amigos enquanto está internado, e somando ao processo de hospitalização em si, que já é psicologicamente desgastante, com medicações, procedimentos, exames.

O tempo todo precisamos observar com um olhar cada vez mais humanizado para o paciente. Neste sentido, uma das ações realizadas é a visita virtual, por meio da qual a unidade hospitalar dispõe de um aparelho telefônico ou tablet para que sejam feitas videochamadas entre paciente e seus familiares conduzidas por um profissional da equipe, geralmente o psicólogo. Ações como esta geram efeitos muito positivos no quadro clínico do paciente de uma maneira geral, colaborando inclusive para sua melhora, pois propicia ao paciente estar mais perto, ainda que não seja fisicamente, das pessoas que ama. A ação também gera um efeito muito positivo em relação à fragilidade psicológica em que se encontram os familiares do paciente, dando a eles um conforto e segurança maior.

Quando pensamos no familiar do paciente, podemos notar também que existem diversas angústias e medos que o acompanham enquanto o paciente está internado. Neste sentido, é necessário que as unidades de saúde busquem trazer este olhar mais humanizado, tanto para o paciente, quanto para a família, que muitas vezes adoece junto com o parente adoecido. Outras ações de humanização que hospitais têm adotado é a comemoração de aniversário do paciente hospitalizado com balões, festa e a realização de videochamada com os familiares; comemoração no momento da alta, através de uma festa com balões, cartazes e palmas da equipe de saúde, entre outras ações que temos desenvolvido continuamente para humanizar o processo, tanto para o paciente, quanto para o familiar, dentro do contexto que a COVID possibilita.

Quando falamos sobre o profissional de saúde, precisamos considerar todo o contexto em que ele está inserido também, que é fisicamente e emocionalmente muito desgastante, pois este profissional precisa lidar com o adoecimento dos pacientes, com os medos e resistências ao tratamento, com a aflição da família, com perdas, infelizmente, frequentes em seu ambiente de trabalho. Com o cansaço físico proveniente do aumento da demanda de pacientes e aumento de sua jornada de trabalho, com os próprios medos envolvidos, uma vez que estão diretamente em contato com pacientes contaminados e possuem o medo de se contaminarem ou de contaminarem seus familiares. Todos estes fatores, muitas vezes, colaboram para a exaustão física e psicológica destes profissionais, resultando até mesmo em crises de ansiedade, dentre outros quadros. Neste sentido, é de fundamental importância que as unidades de saúde promovam ações para a promoção da saúde física e mental destes profissionais. Uma das opções é realizar campanhas contínuas chamando atenção sobre os cuidados com a saúde mental e a disponibilização de atendimento psicológico para todos que precisarem ou quiserem. Além disso, os hospitais podem realizar a comemoração do dia do profissional, a melhora contínua das refeições servidas no hospital, ações em datas comemorativas como dia da mulher, dia das mães, dia dos pais, entre outras ações.

Sabemos que este cenário em que estamos vivendo nos últimos dias é grave. O grande desafio é encontrar, dentro das possibilidades que este contexto de pandemia em que estamos inseridos nos permite, novas formas de olhar tanto o paciente e seus familiares, como os profissionais de saúde que atuam na linha de frente, sendo de fundamental importância que as unidades de saúde busquem gerir toda a demanda e necessidades_ de forma mais humanizada possível e despertar cada vez mais este olhar, da comunidade para este contexto, do paciente e familiar para o profissional de saúde e também do profissional de saúde para o paciente e familiar e, juntos, enfrentar este momento que estamos vivenciando.