Residentes, professores, orientadores e outros envolvidos com atividades científicas fazem pesquisas que são publicadas em periódicos de renome e contribuem para melhores práticas na saúde

O Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO) tem uma produção científica acima da média de outros profissionais. A unidade é referência em muitas áreas das ciências da saúde, principalmente relacionadas a traumas e os casos são um imenso campo aberto para a produção de ciência em diversos segmentos.

Segundo a diretora de Ensino e Pesquisa do HUGO, médica Paula Menezes Ramos, os tutores e preceptores das residências incentivam seus auxiliares a trabalharem em pesquisa e produção de artigos científicos. “O que queremos é que a formação desses novos profissionais seja acompanhada de produção científica, mostrando que promovemos ensino e saber aliado a uma especialização profissional de excelência”, explica.

Por trás do período de residência dos profissionais acolhidos no HUGO há dois organismos que orientam os residentes, os profissionais já graduados em um curso superior e que pretendem se especializar em qualquer área. Há a Coremu (Comissão de Residência Multiprofissional) e a Coreme (Comissão de Residência Médica). O HUGO é uma monumental escola para esses profissionais que saem da faculdade e querem se especializar. Para os médicos há especialidades importantes como ortopedia e traumatologia, geriatria, cirurgia geral, cardiologia, neurocirurgia, anestesiologia e outros. Para demais profissionais da saúde há vagas para fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e outras tantas especialidades.

Além de aprenderem na prática com as centenas de atendimentos prestados no HUGO esses profissionais podem aplicar conceitos de pesquisa científica e produzir artigos científicos que são bem aceitos pela comunidade científica internacional. Revistas e outras publicações são o alvo dessa produção científica dos profissionais em preparação no HUGO e esses se mostram para o mundo como cientistas, não apenas como especialistas em alguma área.

Um dos mais recentes exemplos disso foi de duas fonoaudiólogas formadas na residência no HUGO sob a supervisão da tutora, também fonoaudióloga Inez Janaína de Lima Amaral. As recém-formadas fonoaudiólogas Letícia Marcelina Vieira e Rejane Dutra dos Santos passaram pela residência no HUGO e se tornaram profissionais especialistas em suas áreas de atuação, mas antes tiveram seus trabalhos publicados e mostrados para a comunidade científica.

Inez Janaína explica que a vocação natural do HUGO para cuidar de traumas é um campo vasto para o aprendizado e estudo. Pacientes que foram vítimas de traumas, principalmente acidentes de automóveis e motocicletas, muitas vezes sofrem traumas faciais, o que rende problemas para falar e comer, envolvendo músculos, ossos e movimentos da face.

“Quando o paciente entra com trauma de face no hospital já há estigmas a serem enfrentados, porque a face desse paciente vai mudar e isso causa impacto na vida social da pessoa. Nosso desafio é minimizar esses efeitos e tentar devolver ao máximo a normalidade e satisfação para esse paciente, reintegrando atividades de grande importância, como fala e deglutição. Nesse sentido não basta apenas atuar, é preciso buscar alternativas na ciência e indicar fatores novos”, comenta.

Rejane Dutra dos Santos é graduada em fonoaudiologia pela PUC Goiás e fez residência em urgência e trauma no HUGO. Sua pesquisa envolveu aspectos da recuperação de pacientes com trauma severo na face. “No decorrer da residência foi possível observar várias possibilidades de realizar ciência. Em meio a inúmeros casos, optei por desenvolver uma pesquisa sobre Trauma facial e Fonoaudiologia”. Mesmo enfrentando dificuldades imensas, como falta de literatura sobre o tema e até a pandemia de Covid-19 ela conseguiu desenvolver sua pesquisa, que foi aceita e publicada na Revista da Escola Estadual de Saúde Pública de Goiás.

Letícia Félix também foi graduada na PUC e fez residência no HUGO. Ela explica que sua pesquisa teve por escopo “investigar a gravidade da afasia, realizando uma triagem (teste rápido) em pacientes com Acidente Vascular Encefálico (AVE), internados na emergência do HUGO, visando o acompanhamento, prevenção e reabilitação das afasias”. Ela relata que a experiência e o alcance da pesquisa contribuíram para o sucesso de sua residência. “uma experiencia inovadora em relação de como é importante e valioso a atuação do fonoaudiólogo(a), pois a intervenção precoce nas afasias auxilia no bom prognóstico, realizando a triagem e monitoramento da alteração e sua evolução no decorrer da internação”, resume. As publicações podem ser conferidas no site da Escola Estadual de Saúde Pública de Goiás.

O diretor-técnico do HUGO, André Luiz Braga, explica que as produções científicas são disponibilizadas para outros profissionais e até de outros países como primado do conhecimento público. “O que se produz pensando deve ser partilhado com toda humanidade para o progresso da verdade científica”, finaliza.