Com esparadrapo, gaze, luva cirúrgica e hidrocor, enfermeiro cria bonequinha para melhor interação de paciente com problemas mentais

“Ser enfermeiro é criar artifícios para o bem-estar dos enfermos. O que tínhamos? Compressa e luvas cirúrgicas, esparadrapo e pincel Pilot. O que virou? Uma boneca.” – este diálogo é do Enfermeiro do Hospital Espanhol, Ualisson Mendes Santos, da Enfermaria 5C, com ele mesmo. Num momento de reflexão sobre o cuidar e humanizar.

No final do último mês de novembro, uma paciente do HE, de 27 anos com idade cognitiva de 12, em isolamento familiar, se tratando de Covid, foi surpreendida pelo enfermeiro Ualisson, ao ganhar dele uma bonequinha de gaze.

Quando entrou no leito com a bonequinha, a paciente demonstrou interesse imediato e se comunicou com o profissional: “Obrigada! Ela vai se chamar Mila…”. Batizada, Mila passou a ser a “acompanhante” da paciente (que terá sua identidade preservada, em respeito às suas condições mentais).

Na ronda noturna daquele plantão, por volta das 2h, Ualisson foi verificar o quadro da ‘mãe de Mila” e encontrou as duas dormindo, juntinhas. Mila deitadinha sobre o peito da mãe. A criação de um objeto artesanal, lúdico e feito exclusivamente para a paciente, foi um caminho de aproximação para uma melhor interação e seu relaxamento.

“A humanização é a identificação da necessidade do indivíduo e a efetivação de alguma ação, mesmo que momentânea, que possa impactar positivamente no seu quadro” – explica o enfermeiro Ualisson Mendes Santos.

Para ele a ação foi fruto do olhar, da empatia e da possibilidade de poder aplicar a enfermagem além do cuidar medicamentoso, mas com o acalentar! Motivação de sobra para a profissão que tem como missão, zelar pela saúde do outro!

Aquele plantão do dia 20 de novembro de 2021 foi diferente para o enfermeiro Ualisson: “Uma pequena ação, de pura empatia, tornou meu plantão mais leve. A reação da paciente, de forma tão espontânea e verdadeira, não tem preço. O seu sorriso me encheu de gratidão!”