Sabe aquela torneira que fica meio aberta e, de pingo em pingo, enche o copo d’água e chega a transbordar? Assim são as nossas emoções. Fiquem atentos aos sinais: a mente conta tudo para o corpo”. Foi com esse alerta da psicóloga Marina Brandão que a campanha do Setembro Amarelo chegou ao Hospital Metropolitano, administrado pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) e localizado em Lauro de Freitas. Do dia 1º ao dia 30, uma programação especial marcou este mês dedicado à valorização da vida.

Para abrir o mês, a ação institucional “Ainda bem que você existe”, desenvolvida pelo setor de Comunicação da sede para todas as unidades do INTS no Brasil, ganhou os corredores do Hospital Metropolitano. Além de cartazes afixados nos murais, a novidade foi a Caixinha da Gratidão, na qual os colaboradores podem pegar mensagens e refletir sobre o que está escrito em cada uma delas. “A que peguei veio na hora certa e serviu como uma injeção de ânimo: ‘às vezes, é preciso um coração ferido para conhecer a importância da cura. Permita-se cicatrizar e crescer’”, leu a técnica de enfermagem Mércia Almeida, que correu para a caixinha assim que foi montada e fez questão de postar a foto em sua rede social.

A ideia fez tanto sucesso que até a acompanhante de um paciente entrou na fila para também pegar a sua mensagem. “Gostei demais da minha frase. Tem relação com o momento que estou vivendo”, contou, com um ar de mistério, a cuidadora de idosos Luane Mota, 41 anos.

Em seguida, foi a vez da distribuição dos laços amarelos e das balas personalizadas. Durante dois dias, Marina Brandão, que também é a responsável técnica do serviço de Psicologia do hospital, e a enfermeira administrativa do Núcleo de Educação Permanente (NEP), Juliana Buisine, percorreram todos os setores e unidades do hospital distribuindo as lembranças.

Rodas de conversa e dinâmicas

Ainda como parte da programação do Setembro Amarelo, no dia 6, a gerente operacional Marianna Cerqueira e o serviço de Psicologia promoveram uma roda de conversa com os agentes de limpeza e de portaria, maqueiros, vigilantes e auxiliares administrativos sobre “Olhar para o outro”. “Temos que fazer esse exercício, de olhar para o outro, diariamente. Não sabemos as dores que cada um tem e, às vezes, ela é silenciosa”, lembrou Marianna, após sugerir o exercício do olho no olho por um minuto.

Já na tarde do dia 20 de setembro, o auditório ficou lotado para mais uma roda de conversa. Dessa vez, mediada pela coordenadora de Recursos Humanos, Vanessa Matos, e por Marina Brandão, o encontro teve como temas a saúde mental e a importância do diálogo. Durante o evento, a dinâmica do coração mexeu com a emoção dos colaboradores: cada um deveria escrever, dentro de um coração de papel, os nomes das pessoas que mais ama e os principais sentimentos. “Eu amo a mim mesma, em primeiro lugar. Porque se eu não me amar, não vou poder amar os outros”, revelou a analista administrativa Kacá Santos, que acertou o objetivo da dinâmica.

Nesta mesma roda de conversa, o exercício da gratidão estimulou os colaboradores a enviarem, via aplicativo de mensagens, declarações ou agradecimentos a um amigo. “Oi amiga! Saudades de você! Como está?”, enviou a enfermeira Cinara Baracho para a amiga que não vê há um mês. Já a técnica de enfermagem usou a figurinha ‘Gratidão por tudo’ e enviou para o pai, que mora em Alagoas e não vê há quatro meses.

Para encerrar o mês, no dia 28, a palestra “Setembro Amarelo: Valorização da Vida” foi ministrada pelo psicólogo, especialista em saúde mental e psicossocial e facilitador de grupos, Genilson Costa. “Falar de vida é falar do quanto precisamos valorizá-la, saber qual o sentido dela e como construir caminhos para vivê-la. Precisamos conscientizar as pessoas sobre o cuidado consigo próprio e com aqueles que estão ao redor. Devemos estar atentos aos sinais que as pessoas dão quando querem conversar sobre as dores que estão sentindo e precisamos acolher esta dor, estar disponível e ser solidário com o outro. Prevenção é isso: é conversar sobre as dores e evitar que a pessoa chegue ao ato de tirar sua própria vida por não suportar tamanha dor”, aconselhou o psicólogo.